ESTRATÉGIAS PSICOPEDAGÓGICAS NA INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM


Resumo: Este artigo investiga as contribuições das intervenções psicopedagógicas para a inclusão de alunos com transtornos de aprendizagem, como dislexia e TDAH. O objetivo é analisar estratégias que promovam o desenvolvimento cognitivo e a autonomia discente no contexto escolar contemporâneo. Por meio de uma revisão bibliográfica, observou-se que práticas fundamentadas na ludicidade, gamificação e metodologias ativas são fundamentais para o engajamento e autorregulação. Os achados destacam a importância da formação docente continuada, do fortalecimento do vínculo escola-família e da despatologização do comportamento infantil. Conclui-se que intervenções planejadas e humanizadas favorecem a superação de barreiras pedagógicas e o sucesso acadêmico integral.

Abordagens psicopedagógicas: intervenção, ludicidade e mediação escolar

Os transtornos de aprendizagem consistem em condições de origem neurobiológica que interferem na aquisição de habilidades escolares básicas como leitura e escrita. O psicopedagogo atua como um mediador essencial na identificação dessas barreiras e na implementação de intervenções que visam ampliar as competências dos aprendentes. Sua prática profissional busca compreender as múltiplas dimensões do aprendizado, focando não apenas nos déficits, mas também nas potencialidades individuais. É fundamental que as escolas desenvolvam estratégias pedagógicas que reconheçam a diversidade cognitiva e favoreçam a inclusão efetiva de todos (Alcantara et al., 2025; Neri; Barros, 2024)

O uso de atividades lúdicas e jogos estruturados constitui uma ferramenta poderosa para tornar o processo educativo prazeroso e significativo ao estudante. Essas estratégias favorecem a tomada de decisão, o raciocínio lógico e a autorregulação, elementos fundamentais para o desenvolvimento da autonomia. A ludicidade permite a exploração de novos significados, estimulando funções mentais superiores como a atenção voluntária, a memória e a linguagem. Práticas gamificadas também surgem como inovações que aumentam o engajamento e permitem ao aluno controlar seu próprio ritmo de aprendizagem (Simões, 2025; Neri; Barros, 2024)

Sob a ótica histórico-cultural, o psiquismo humano é visto como uma produção social resultante da apropriação cultural mediada constantemente pela linguagem. O diagnóstico clínico isolado pode contribuir para a patologização do comportamento infantil ao negligenciar as causas intersubjetivas das dificuldades escolares. É imperativo deslocar o eixo da avaliação focada no indivíduo para os processos de interregulação e atenção compartilhada entre professor e aluno. Atividades na zona de desenvolvimento iminente permitem que o escolar realize coletivamente tarefas que ainda não domina de forma independente. (Werner Júnior; Schaefer, 2024; Simões, 2025)

A formação continuada dos professores é fundamental para poderem identificar dificuldades e propor intervenções que estimulem o envolvimento ativo discente. Muitos educadores relatam insegurança ao lidar com o TDAH devido à falta de capacitação específica sobre os mecanismos neurocognitivos do transtorno. O uso de metodologias ativas e tecnologias digitais pode transformar o ensino, promovendo o protagonismo e a responsabilidade do próprio aprendente. Investimentos em políticas públicas para estrutura escolar adequada são necessários para consolidar práticas pedagógicas realmente inclusivas e equitativas. (Pimentel; Albuquerque; Azevedo, 2022; Alcantara et al., 2025)

A colaboração entre escola e família é indispensável para garantir a continuidade do suporte emocional e pedagógico oferecido ao estudante. Pais sensibilizados e orientados sobre as necessidades específicas de seus filhos contribuem significativamente para a eficácia das estratégias de intervenção. Essa parceria reduz o absenteísmo escolar, aumenta a autoestima elevada e fortalece os laços entre todas as partes interessadas. Ao promover uma abordagem interdisciplinar integrada, a psicopedagogia assegura que todos os alunos desenvolvam plenamente seu potencial acadêmico e pessoal (Neri; Barros, 2024; Simões, 2025)

REFERÊNCIAS

ALCANTARA, Cleide Maura Patricia et al. Transtornos de aprendizagem e intervenções pedagógicas. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S.l.], v. 11, n. 12, p. 1977-1993, 2025.

SIMÕES, Fabiana Sá. Estratégias psicopedagógicas para o desenvolvimento da autonomia no aprender: uma revisão bibliográfica baseada em evidências. Aurum Revista Multidisciplinar, [S.l.], v. 1, n. 2, p. 43-57, 2025.

PIMENTEL, Luan Narone Oliveira; ALBUQUERQUE, Silvia Roberta do Nascimento de; AZEVEDO, Gilson Xavier de. Desenvolvimento da aprendizagem em crianças com TDAH. REEDUC-Revista de Estudos em Educação, [S.l.], v. 8, n. 1, p. 202-224, 2022.

NERI, Welvis; BARROS, Atila. A importância do psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem no contexto escolar. Ets Educare-Revista de Educação e Ensino, [S.l.], v. 2, n. 3, p. 88-119, 2024.

WERNER JÚNIOR, Jairo Werner; SCHAEFER, Thales Albuquerque Reynaud. Interregulação, consciência e atenção compartilhadas: Despatologizando o TDAH. Revista Psicopedagogia, [S.l.], v. 41, n. 124, p. 6-20, 2024.


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